6.5.15

About a tree (small tale)

Hello, I'm a loser. Loser. LOSER. I said L-O-S-E-R. I've been a human being for donkey's year. It's high time to become someone else better, or even better, something better. My lost years started very early, since I was a little boy. Do you know that strange tree in the corner of the main street of our neighborhood? That one, in which everybody uses to scratch the bark, without pity, without punishment? That one - look: go straight on until you reach the main street, walk 100 meters and Bob's your uncle - you are there! So, I remember perfectly: once upon a time, when I was a little boy, at the age of 8 or 9 years old (it slipped off my mind), this tree started chewing the cat and, after catching my attention, told me a terrible story about creepy doctors in fatal surgeries. I gave it the cats arse, but it didn't work as I thought: the tree became bigger and bigger and bigger… So I did a runner. However, I noticed that the strange tree was a bit hairy at its heels - considering, of course, that a tree could have heels. It doesn't matter, trust me. I ask for your attention: trust me, I'm not all mouth and no trousers and my speech didn't fall off the back of a lorry. Although, I must admit: at this point, I've got enough alcohol in my blood to cobble dogs with. But let me tell you more about the strange tree. Green, ok. But not so solid as we expect from a tree. This one is more gelatinous, gooey and smelt bad. Imagine a dirty latrine, which has never been cleansed. You can realize what I'm saying. Shit, piss, fuck - pardon my French. When this tree told me the horrible story about those creepy doctors, wow, a cat got my tongue. I have become a voiceless dumb until today. Mute for 40 years! Wordless. Unsounded. Toneless. Speechless. And dumb dumb dumb dumb. Loser. Losing my entire life. During this time, I used to have a one-track mind: kill this strange tree - and, afterwards, find out where the creepy doctors live, if they are still alive, of course.

But yesterday, 40 years from that fateful day, I woke up in the morning - that could be mourning, that would be mourning - and saw a couple of pigs flying. So, as my history has more holes in it than Swiss cheese, I decided to start to talk, again. And saw the strange tree.

When I was about to do that, however, I did a Devon Loch, dying from a heart attack.

31.10.12

Do astronauta

- A vida é tanta, cerca de trinta;
Mais um pouco, e chegaria extinta.

20.9.12

Futuro?

Ninguém mais liga para
bomba atômica
teletransporte
foguetes para a lua.

O futuro não veio,
não chegou.

Ninguém mais se importa com
reforma agrária
controle populacional
fim da inflação.

O futuro ficou
nos livros velhos,
nas revistas amareladas,
nos almanaques do passado.

Ninguém mais se preocupa
com androides
nem robôs
nem comigo.

O futuro não veio,
não chegou.
Ou pior:
chegou
viu
riu
arrependeu-se
e voltou embora para nunca mais.

8.8.12

poeminha do instante


De repente a moça não estava aqui
Não estava mais
Porque estava onde o chique,
o hit,
o hype era ser
Pseudo-entediada.

De repente a moça não era ali
Não era mais
Porque era o que jamais se imaginara,
o improvável,
o absoluto estar
Pseudo-entediada.

De repente a moça não sabia o quê
Não sabia mais
Porque saber já não tinha o porquê,
o desdém,
o desejo de ficar
Pseudo-entediada.

10.7.12

Oração


Não há segredo. Nem tudo o que agrada, agride. Nem tudo o que degrada, estraga.
O que secreta, entretanto, atiça, maltrata de bem, solapa o que deseja, seja, beija.
Amém.

2.5.12

Aqui, lá, aquilo lá

Odeio aqui. Quero lá. Sobre abraços, sobrados, cadernos e arames: - Quero-quero. Odeio aqui. Quero lá. Outro mundo, outras cabeças, outros planos para o dia de ontem. Porque o amanhã, meus caros, já era.

7.2.12

spot

já não sei mais qual é a linha
se emaranhada
ou se arrebem
tou

se tem pipa na ponta
ou se limpa os dentes
por entre os vãos dos
dem
tes

se é linha fina ou adunca
se é corda bamba ou
frouxa
nunca

9.12.11

Sabático

Erro
No primeiro eco
Que berro.

8.12.11

Telúrico

Escorrego
No primeiro espelho
Que nego.

7.12.11

Astronáutica

Tropeço
No primeiro passo
Do espaço.

6.12.11

Simples

Então é isto.
E se não for
Nem acredito.
Refletir:
Como se a vida
Morasse no espelho.

9.11.11

Falou e disse

E tem expressões bonitas, como a do sujeito que, pode erguê, dizia:

- Tô zarpano.

E vazô na braquiária, feito curisco. Foi um forfé. Quase que deu revertério.

Castele só. Vai veno. Mai não precisa encuiá o pescoço, não. Da moita também se vê, ainda que de revesgueio, de fianco, meio reba, um tanto embramado.

- Xééé que foi. Vi que tava chovendinho, ele não ia não.

- Pois deu piau, foi de quaiá o bico.

- Vô morgá. Num posso com banzé, fico muquiado. E num sô loco de ficá campiano quem empresta a canela do veado.

2.11.11

futurologia; faturologia; feturologia;
firulologia.

20.9.11

Ou tudo
Outubro
Eu tento
Atento
Lembrar
Levar
Ler par
Ou ímpar
Outubro
Novembro
Dezembro.

8.9.11

perdido na curva absurda e abrupta
que liga
a linha turva e morna e...

consumo-me.

19.8.11

tanta coisa
acontecendo
que quase me esqueço
de tanta coisa
acontecendo.

5.4.11

a quem deu a mão
sou adeus

a quem senão ser
nasci ideia
e sou céu

a quem se sereia
fiz-me aldeia
descobri-me deus
vi-me idiota

e na esteira de vime
olhei-me outro
no espelho do oceano:
- sou nós que somos
na garganta.

23.3.11

Vi duas nuvens fomando parênteses. O céu quer me dizer alguma coisa?

16.2.11

então é isto:
não sei se desisto
ou se insisto.

28.12.10

No radinho de pilha



"Won't you get hip to this timely tip:
When you make that California trip
Get your kicks on Route Sixty-Six"

16.12.10

Seção da sessão



Meus votos de Tudo de Bom Etc.

3.12.10

Perspectivas.
Combinam tão bem com frustrações
Que até dói.

2.12.10

Seção da sessão



No meio do caminho.

30.11.10

inquietude

vivo de contagens regressivas, doutor
é grave
sei que é grave
do tipo de gravidade que até ecoa
- ave, ave, ave...

vivo de reminiscências nubladas, doutor
é triste
sei que é triste
do tipo de tristeza que até parece
um chiste.

vivo de presentes repreensivos, doutor
é fato
sei que é fato
e ponto.

22.11.10

10ânimo

com o olhar amanhecido
o poeta nem mais sorri:

pede alforria
de toda mais-valia
nem todo ganha-pão

porque entre sim e não
com o corpo anoitecido
a vida era para ter sido
e não foi, não foi, não foi.

pede alforria
o poeta
pede alforria
e decreta:

sem estrela nem vela
nada que valha a pena.

10.11.10

na padaria do poeta
nem só sonho
é tamanho
nem só pão
é oração.

há versos de farinha
sem rima
há versos de queijo
sem beijo
e há também os versos
perversos, daninhos,
que passam do ponto
dão dó.

na padaria do poeta
só não cabem
inflação, moeda
e papo de cumprir a meta.

9.11.10

boas são as travessas
que escondem
delícias

como se assassem
o que se serve
crua

quem disse que
asas
são precisas?

boas são as travessas
que abrigam
palavras

8.11.10

Algumas pessoas são improváveis.

7.11.10

o retrato que escorre feito montanha e arranha o amanhã
como
um espaço em branco
preenche-me.