No sofá.
23.5.08
22.5.08
Instante da estante
ASSIS, Machado de. Contos escolhidos. São Paulo: Martin Claret, 2007. 21.5.08
Coleções #2
- Aspas fortes;
- Parênteses fracos;
- Interrogações efêmeras;
- Reticências constantes;
- Ex-clamação.
Tragédia radioativa
Há um retrato na parede
Que fica dobrando minhas lágrimas:
Largo as rimas que a alma pede
E vou chorar pelas meninas
mortas em Chernobyl
E aquelas coisas tortas que todo o mundo viu.
Jogo fora Dostoiévski, Tolstoi...
Meu espírito apenas rói
lembranças tristes:
Crianças famintas chorando de câncer,
Plantas com pintas calando o amanhecer,
Adultos ruços de soluços russos.
Parece um daqueles filmes de Kurosawa!
Uma prece, náuseas, quem nos redime?
Tamanho crime sem explicação
arranha a História
e rasga a memória
em mil pedacinhos querendo perdão.
20.5.08
sonhos de um tempo
joga fora teu relógio
tua hora já acabou
queima os sonhos na lareira
mas não leva o que restar
a fumaça cuida das lembranças
um quê caetânico vai olodunzar os teus quadris
e nas curvas do teu corpo eu vou sorrir
voltar a sorrir
agora vamos embora
que o instante urge
persiste a clemência dos ateus
sobra a fugacidade da vida
e os beijos surdos da adolescência
sente a vibração do ar
e lembra como é bom não sonhar
em tempos de pesadelo
lembra que o medo é brinquedo
e as armas também são de brinquedo
foge agora
se não quer ir embora comigo
e sei que num peito abrigo
teus sonhos voltarão tristes...
19.5.08
Novo hino de obrigações
prometo meter a meta na gaveta
pra que o objeto-meta não se meta comigo
prometo ser só mais um amigo...
prometo matar o muito detrás da moita
pra que o muito-matado não se mate depois
quem se suicida no fundo é um covarde
(um covarde corajoso!)
no mata-mata da vida bandida que nos mutila
um surto de metas contra-ataca; voam do teto
as gavetas lacradas cheias de objetos não têm vez
é hora de matarmos os suicidas escondidos nas moitas.
18.5.08
16.5.08
15.5.08
Instante da estante
NERUDA, Pablo. Livro das perguntas. São Paulo: Cosac Naify, 2008. 



