2.5.12
Aqui, lá, aquilo lá
Odeio aqui. Quero lá.
Sobre abraços, sobrados, cadernos e arames:
- Quero-quero.
Odeio aqui. Quero lá. Outro mundo, outras cabeças, outros planos para o dia de ontem. Porque o amanhã, meus caros, já era.
0
tagarelice(s)
*cinzas em
devaneio
7.2.12
spot
já não sei mais qual é a linha
se emaranhada
ou se arrebem
tou
se tem pipa na ponta
ou se limpa os dentes
por entre os vãos dos
dem
tes
se é linha fina ou adunca
se é corda bamba ou
frouxa
nunca
se emaranhada
ou se arrebem
tou
se tem pipa na ponta
ou se limpa os dentes
por entre os vãos dos
dem
tes
se é linha fina ou adunca
se é corda bamba ou
frouxa
nunca
0
tagarelice(s)
*cinzas em
devaneio
9.12.11
8.12.11
7.12.11
6.12.11
9.11.11
Falou e disse
E tem expressões bonitas, como a do sujeito que, pode erguê, dizia:
- Tô zarpano.
E vazô na braquiária, feito curisco. Foi um forfé. Quase que deu revertério.
Castele só. Vai veno. Mai não precisa encuiá o pescoço, não. Da moita também se vê, ainda que de revesgueio, de fianco, meio reba, um tanto embramado.
- Xééé que foi. Vi que tava chovendinho, ele não ia não.
- Pois deu piau, foi de quaiá o bico.
- Vô morgá. Num posso com banzé, fico muquiado. E num sô loco de ficá campiano quem empresta a canela do veado.
- Tô zarpano.
E vazô na braquiária, feito curisco. Foi um forfé. Quase que deu revertério.
Castele só. Vai veno. Mai não precisa encuiá o pescoço, não. Da moita também se vê, ainda que de revesgueio, de fianco, meio reba, um tanto embramado.
- Xééé que foi. Vi que tava chovendinho, ele não ia não.
- Pois deu piau, foi de quaiá o bico.
- Vô morgá. Num posso com banzé, fico muquiado. E num sô loco de ficá campiano quem empresta a canela do veado.
1 tagarelice(s)
*cinzas em
fotograma
2.11.11
20.9.11
Ou tudo
Outubro
Eu tento
Atento
Lembrar
Levar
Ler par
Ou ímpar
Outubro
Novembro
Dezembro.
Outubro
Eu tento
Atento
Lembrar
Levar
Ler par
Ou ímpar
Outubro
Novembro
Dezembro.
0
tagarelice(s)
*cinzas em
fotograma
8.9.11
perdido na curva absurda e abrupta
que liga
a linha turva e morna e...
consumo-me.
que liga
a linha turva e morna e...
consumo-me.
1 tagarelice(s)
*cinzas em
devaneio
19.8.11
tanta coisa
acontecendo
que quase me esqueço
de tanta coisa
acontecendo.
acontecendo
que quase me esqueço
de tanta coisa
acontecendo.
3
tagarelice(s)
*cinzas em
devaneio
5.4.11
a quem deu a mão
sou adeus
a quem senão ser
nasci ideia
e sou céu
a quem se sereia
fiz-me aldeia
descobri-me deus
vi-me idiota
e na esteira de vime
olhei-me outro
no espelho do oceano:
- sou nós que somos
na garganta.
sou adeus
a quem senão ser
nasci ideia
e sou céu
a quem se sereia
fiz-me aldeia
descobri-me deus
vi-me idiota
e na esteira de vime
olhei-me outro
no espelho do oceano:
- sou nós que somos
na garganta.
1 tagarelice(s)
*cinzas em
inquietude
23.3.11
Vi duas nuvens fomando parênteses. O céu quer me dizer alguma coisa?
2
tagarelice(s)
*cinzas em
devaneio
16.2.11
28.12.10
No radinho de pilha
"Won't you get hip to this timely tip:
When you make that California trip
Get your kicks on Route Sixty-Six"
1 tagarelice(s)
*cinzas em
sonzinho
16.12.10
3.12.10
2.12.10
30.11.10
inquietude
vivo de contagens regressivas, doutor
é grave
sei que é grave
do tipo de gravidade que até ecoa
- ave, ave, ave...
vivo de reminiscências nubladas, doutor
é triste
sei que é triste
do tipo de tristeza que até parece
um chiste.
vivo de presentes repreensivos, doutor
é fato
sei que é fato
e ponto.
é grave
sei que é grave
do tipo de gravidade que até ecoa
- ave, ave, ave...
vivo de reminiscências nubladas, doutor
é triste
sei que é triste
do tipo de tristeza que até parece
um chiste.
vivo de presentes repreensivos, doutor
é fato
sei que é fato
e ponto.
3
tagarelice(s)
*cinzas em
inquietude
22.11.10
10ânimo
com o olhar amanhecido
o poeta nem mais sorri:
pede alforria
de toda mais-valia
nem todo ganha-pão
porque entre sim e não
com o corpo anoitecido
a vida era para ter sido
e não foi, não foi, não foi.
pede alforria
o poeta
pede alforria
e decreta:
sem estrela nem vela
nada que valha a pena.
o poeta nem mais sorri:
pede alforria
de toda mais-valia
nem todo ganha-pão
porque entre sim e não
com o corpo anoitecido
a vida era para ter sido
e não foi, não foi, não foi.
pede alforria
o poeta
pede alforria
e decreta:
sem estrela nem vela
nada que valha a pena.
1 tagarelice(s)
*cinzas em
inquietude
10.11.10
na padaria do poeta
nem só sonho
é tamanho
nem só pão
é oração.
há versos de farinha
sem rima
há versos de queijo
sem beijo
e há também os versos
perversos, daninhos,
que passam do ponto
dão dó.
na padaria do poeta
só não cabem
inflação, moeda
e papo de cumprir a meta.
nem só sonho
é tamanho
nem só pão
é oração.
há versos de farinha
sem rima
há versos de queijo
sem beijo
e há também os versos
perversos, daninhos,
que passam do ponto
dão dó.
na padaria do poeta
só não cabem
inflação, moeda
e papo de cumprir a meta.
0
tagarelice(s)
*cinzas em
interloucuração
9.11.10
boas são as travessas
que escondem
delícias
como se assassem
o que se serve
crua
quem disse que
asas
são precisas?
boas são as travessas
que abrigam
palavras
que escondem
delícias
como se assassem
o que se serve
crua
quem disse que
asas
são precisas?
boas são as travessas
que abrigam
palavras
0
tagarelice(s)
*cinzas em
interloucuração
8.11.10
7.11.10
o retrato que escorre feito montanha e arranha o amanhã
como
um espaço em branco
preenche-me.
como
um espaço em branco
preenche-me.
0
tagarelice(s)
*cinzas em
inquietude
6.11.10
sem eco
tudo o que eu precisava
era fechar para balanço
como se houvesse
feito ranço
um encanto
que pronto se espreguiçasse
na minha vida de quebrantos
não há, mas.
era fechar para balanço
como se houvesse
feito ranço
um encanto
que pronto se espreguiçasse
na minha vida de quebrantos
não há, mas.
1 tagarelice(s)
*cinzas em
inquietude
2.10.10
Dosafetos
em que não creio
só leio
e range meu ventre
sedento sempre
como uma dobradiça gasta
velha massa
corpórea
inútil
coleciono bênçãos
feito sacristão
apavorado
em que não creio
só leio.
só leio
e range meu ventre
sedento sempre
como uma dobradiça gasta
velha massa
corpórea
inútil
coleciono bênçãos
feito sacristão
apavorado
em que não creio
só leio.
0
tagarelice(s)
*cinzas em
inquietude
29.9.10
Amanhã
Ninguém pode enterrar o amanhã.
Porque ele não espera
Porque ele não se cansa
Porque ele simplesmente
acontece.
Ninguém pode carregar as pás,
trazer todas as ferramentas e,
depois de vetusto velório,
procissão fúnebre,
enterrar o amanhã.
Ele não se encerra assim.
O amanhã não permite tropeço
e jamais admite ser pulado.
Porque ele não espera
Porque ele não se cansa
Porque ele simplesmente
acontece.
Ninguém pode carregar as pás,
trazer todas as ferramentas e,
depois de vetusto velório,
procissão fúnebre,
enterrar o amanhã.
Ele não se encerra assim.
O amanhã não permite tropeço
e jamais admite ser pulado.
2
tagarelice(s)
*cinzas em
inquietude
8.9.10
Frag Mental
da vontade.
sempre sobra, mas soçobra.
do sentido.
estremece, depois esquece.
da querença.
apenas vela, desvela.
da assepsia.
mental, sentimental.
sempre sobra, mas soçobra.
do sentido.
estremece, depois esquece.
da querença.
apenas vela, desvela.
da assepsia.
mental, sentimental.
0
tagarelice(s)
*cinzas em
devaneio
7.9.10
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